Ao pousar, Baltar senti um arrepio em seu corpo.
Ele está diante da entrada do santuário.
Suas asas desaparecem como mágica, ao adentrar no saguão.
A porta que leva até as mãos de ouro está ao fundo.
O príncipe senti uma presença estranha, uma presença má.
Derrepente, o saguão começa escurecer.
As velas dos castiçais se apagam como se alguém estivesse as assoprando.
Um vento misterioso e gelado assovia entre as paredes de mármore.
Que são tomadas pelas sombras escuras e sombrias que vão surgindo, junto as vozes e sussurros.
Uma harpa que está no final do corredor, começa a tocar misteriosamente.
Baltar senti um calafrio, como se algo ou alguma coisa passasse por entre ele.
As vozes aumentam.
Parecem lamentações, gemidos de dor e sofrimento.
Um gosto de fel lhe vem a boca e um enjôo lhe toma o estômago.
O príncipe fica parado.
O medo invade sua alma.
Ele respira profundamente, e em cada suspiro algo lhe passa sobre as vistas.
São fantasmas.
Mesmo de olhos fechados, ele vê os espíritos se aproximando com seus espectros cadavéricos e horripilantes.
O medo lhe aterroriza, paralisa seus músculos.
Derrepente, uma voz tépida lhe vem ao ouvido.
-Dei-me a luz......dei-me a luzzzzzz....
Baltar tampa seus ouvidos, deixando cair a lamparina.
Ao olhar para baixo, ele tem uma visão assustadora.
Há varias almas rastejando no chão, tentando puxa-lo para baixo.
Um forte vento sopra dentro do saguão, e as paredes de mármore começam a rachar. Criaturas sombrias saem de dentro das fendas, que vão se abrindo lentamente. e
Ecoando gritos e gemidos.
O coração de Baltar dispara ao ver os fantasmas sobrevoando o teto do saguão.
Ele então olha para a lamparina no chão.
Uma luz azul e cintilante brilha dentro dela.
O príncipe a pega, e ao levanta-la ao colo, eis que surgi um pentagrama iluminado.
Ele fica no meio da estrela de cinco pontas, que o protege como um escudo de energia. Os fantasmas se aproximam.
O medo ainda lhe aflige a alma.
Ele percebe que quanto mais medo sente, mais o pentagrama se apaga, deixando com que os espíritos se aproximem.
Baltar então segura a lamparina, e depois de um longo suspiro, segue adiante.
Á cada passo, o pentagrama ilumina-se, fortalecendo o escudo de energia.
A luz que emerge da estrela é tão forte e tão luminosa, que afasta os fantasmas.
Fazendo com que o príncipe chegue rapidamente até a porta do santuário.
Baltar então pega as chaves de ouro em forma de serpentes, e as coloca nas duas fechaduras.
Uma em cima, a esquerda, e a outra em baixo, a direita.
Ao girar as chaves, a porta se abre.
O santuário não é muito grande.
Está todo iluminado pela brancura de suas paredes, e de seu teto, todo de cristal.
Os vitrais da cúpula são azuis, coberto de símbolos e desenhos.
O chão é coberto por um piso de ouro e esmeraldas.
Nas paredes, há vários desenhos que foram feitos pelos atlantes, contando a historia da Deusa Orion.
Baltar fica encantado com a beleza do santuário.
Cada passo que dá em direção ao centro, seu espírito contagia-se de brio e força.
Eis que então, surgi em meio as luzes e o reflexo do ouro.
O pilar de mármore.
A coluna tem uns três metros de altura, e brota do chão como uma árvore de pedra. Em baixo do pilar, há um anel com lírios esculpidos.
O príncipe olha de baixo para cima, e ao focar sua visão no centro, vê as duas mãos de ouro, unidas como se estivesse ofertando o grande saber.
Ele emociona-se ao ver tamanha magnitude.
Baltar aproxima-se das mãos de ouro, e lembra de que Anurios lhe falara, que somente a lamparina poderia reacender a chama de Orion.
O príncipe então olha para a relíquia de Shamballa, a virando de todos os lados, tentando encontrar algo.
Alguma coisa que faça reacender a chama nas mãos de ouro.
Baltar então fixa seus olhos, e nota que as misteriosas iniciais gravadas na lamparina começam a reluzir.
As quatro letras se projetam no teto.
Ao olhar para cima, o príncipe as vê projetadas, na mesma ordem que estão na lamparina.
I N R I
Baltar fica intrigado.
Ele olha para as mãos de ouro, mas nada acontece.
Ele põem-se a pensar, tentando decifrar o misterioso enigma.
Então percebe que a lamparina está esquentando, bem onde as inicias estão gravadas.
E nota um gorduroso óleo que surgi entre as letras.
Parece azeite de oliva.
Baltar passa seu dedo, tirando o excesso de óleo que surgira.
Eis que então, as iniciais revelam uma frase.
O príncipe a lê, mas não compreende aquele escrita.
Nunca vira aquelas palavras antes.
Neste momento, ele se desespera por não conseguir decifrar a misteriosa frase.
E ao mesmo tempo é tomado por uma força poderosa.
Baltar fecha seus olhos, e após um longo suspiro, os abre lentamente.
Ele então lê palavra por palavra.
Mesmo sem compreender, as recita, completando a misteriosa frase.
Neste momento, Baltar senti um calor subir por sua coluna.
Um zumbido lhe vem aos ouvidos, e seu corpo começa a formigar.
Uma intensa e mágica luz surgi no pilar.
Uma luz azul e cintilante.
Baltar olha fixamente para as mãos de ouro.
E lentamente a chama de Orion vai surgindo.
Um fogo azul e brilhante.
Os olhos do príncipe lacrimejam diante daquela magia.
Ele então ajoelha-se agradecido.
Seu espírito enche-se de luz, ao sentir o suspiro do criador.
A chama azul ilumina todo o santuário como uma luz divina.
Ele então percebe que deve prosseguir com sua missão.
Baltar pega a lamparina e a abre aproximando-a das mãos de ouro.
Que como mágica, leva a chama de Orion até ela.
O fogo sagrado ilumina-se dentro da lamparina, que o protege como uma guardiã. Baltar mais uma vez se lembra das palavras de Anurius.
Que lhe dissera que o pilar guardava uma câmara secreta que o levaria mais rápido até a torre.
O príncipe então olha em volta do pilar, tentando encontrar os símbolos que Anurius lhe falara.
Derrepente, os símbolos começam a surgir.
Ele sabe que somente um dos símbolos revelará a câmara.
E se escolher o símbolo errado, esta não vai se revelar.
Ele olha atentamente para o pilar.
São vários símbolos, um diferente do outro.
Eles aparecem e desaparecem, e vão mudando de lugar.
O suor que lhe vem a testa, atrapalha sua concentração.
Ele olha para a lamparina, olha para a chama emergida nas mãos de ouro.
E mais uma vez fixa seus olhos no pilar.
E percebe um símbolo que lhe chama a atenção.
Ele franje a testa e aperta os olhos, tentando se lembrar de onde teria visto aquele misterioso símbolo.
Uma cruz de asas virada para cima.
Baltar olha fixamente para o símbolo.
Que diferente dos outros, não desaparece mais.
A cruz de asas está a um palmo das mãos de ouro.
O príncipe não tem mais dúvidas.
Ele conhece aquele símbolo.
Ele já o vira antes.
Com a certeza invadindo sua alma, ele aproxima-se do pilar.
E ao levar sua mão ao símbolo, este desaparece.
Um silêncio se faz neste momento.
Um pensamento lhe vem.
-Por Astartéia!!!!
Escolhi o símbolo errado!!!!
Neste momento, o silencio é rompido por um estrondoso barulho que sai da parte de baixo do pilar.
Baltar percebe que o chão está se movendo.
Ele então pega a lamparina e se afasta.
Notando que o piso em volta do pilar está formando degraus.
Em poucos segundos, surgi á sua frente, uma escada em forma de espiral, direcionada para baixo.
O príncipe contagia-se de alegria ao ter escolhido o símbolo certo.
Ele então, eufórico, começa descer a escada.
A escuridão é iluminada pela chama de Orion, enquanto ele desce degrau por degrau.
É uma árdua descida.
Parece que a escadaria não tem fim.
Mesmo cansado e ofegante, Baltar desce incessantemente.
Ele então percebe que sua caminhada está chegando ao fim.
O espiral diminui de tamanho, revelando um gigantesca câmara.
Baltar não consegue acreditar.
Chegou até a câmara secreta que Anurios lhe falara.
A câmara é imensa, fria e escura.
Além dos ecos dos morcegos, Baltar percebe o barulho das gotas de água que escorrem das estalactites, gotejando no chão.
Ele então estranha o barulho de água corrente que surgi mais á frente.
O príncipe segue iluminado pela lamparina.
Que clareia as paredes da câmara, revelando inúmeras teias de aranha.
Ele então nota que algumas são sopradas pelo vento, e segue a corrente de ar.
O barulho de água corrente aumenta, a medida em que ele se aproxima do som.
Eis que então, a chama de Orion revela um rio subterrâneo, que passa por dentro da câmara.
Baltar aproxima-se do rio, enquanto um barulho de madeira batendo, aumenta constantemente.
Ao erguer seu braço com a lamparina, ele então percebe uma gôndola.
Um pequeno barco, amarrado á um poste, na beira do rio.
O príncipe entra na gôndola, colocando a lamparina á sua frente, e começa a remar. Ele não precisa fazer muito esforço para com o remo.
Pois a água do riu corre fortemente.
Usa-o apenas para equilibrar o barco.
O barulho dos morcegos aumentam.
E a lamparina revela um imenso túnel á sua frente.
Enquanto a gôndola adentra no túnel, Baltar encolhe-se de frio.
Esfregando os braços, e assoprando as mãos.
Á sua frente, há apenas a escuridão.
Por alguns segundos, o barulho das águas correntes lhe pesam os olhos.
Mas o sono não lhe pega.
Baltar está ansioso.
Ele sabe que as águas o levarão para seu destino.
Enquanto o príncipe adentra no breu escuro.
Jabint, Hamilcar e Anut, depois de descerem o desfiladeiro, chegam a entrada da floresta retorcida.
-Vejam!!!
A porta do sepulcro está se abrindo.
É o príncipe Baltar!!!!!
Ele tem alguma coisa nas mãos.
São as chaves do santuário.
Ele conseguiu!!!!
Sabia que tu conseguirias, nobre príncipe.
-As chaves já estão aqui, Jabnit.
-Agora é só acender esta torre maldita e irmos embora.
-Não será tão simples assim, Isthar.
-Como assim?
Tu já não tens as chaves?
Não é só entrar no santuário, buscar a chama de Orion, e acender a torre?
-Precisamos fazer com que a chama de Orion desperte novamente.
E para isso precisamos buscar a relíquia de Shamballa.
Hamilcar também sem entender nada pergunta ao príncipe.
-Relíquia?
Mas que relíquia é esta, Príncipe Baltar?
-É uma lamparina magica, que o rei da ilha de Shamballa deu a Medicis.
A lamparina está enterrada em baixo da figueira.
No topo da montanha da morte.
Isthar balançando a cabeça de um lado para o outro diz.
-O que estas dizendo?
Que temos que subir naquela montanha escura?
E os demônios?
Os Morfiros.
Anut disse que são os mais cruéis da ilha.
Eles andam com escorpiões em bolsa de couraça, e fazem sacrifícios em uma mesa de pedra.
Eles tiram os órgãos um a um com um punhal de ouro.
Deixando o coração por último.
Isto é loucura.
Estes demônios são muito perigosos.
-Não temos outra escolha, Isthar.
Sem a lamparina, não há como acender a torre.
Preparem as tochas e as espadas.
Hamilcar!!!!
Tu ainda tens um pedaço daquela corda?
-Sim, ainda tenho um bom pedaço, senhor.
Mas não iremos conseguir escalar a montanha com ela.
-Não vamos precisar escalar a montanha da morte.
Anurius disse que se entrarmos em uma das cavernas, poderemos subir por dentro.
Isthar mais uma vez retruca.
-Se entrarmos nas cavernas seremos presas fáceis para estes demônios.
Vamos estar nos entregando a morte.
-Isthar, pare de reclamar e acenda logo esta tocha.
Estes demônios não devem ser tão terríveis assim.
O egípcio disse que eram pequenos.
Esmagarei todos com minhas mãos.
-Falar é fácil, Hamilcar.
Se pelos menos eu tivesse um pouco de vinho.
Os homens caminham em direção a montanha da morte.
Baltar vai na frente.
Jabinit afia suas espadas no caminho.
Enquanto Hamilcar desenrola a corda.
E Isthar vem mais atrás inconformado, tentando proteger sua tocha do vento.
A montanha da morte então surgi diante dos olhos dos fenícios.
Baltar tem um mau pressentimento, mas não fala nada.
-Ali, homens!!!
vejam!!!!
Poderemos entrar por aquela caverna.
-Essa montanha parece ser bem mais alta olhando daqui de perto, senhor.
-Tens razão, Jabnit, essa montanha é imensa.
Derrepente, Isthar nota algo estranho no lado esquerdo da trilha, perto da floresta.
-Veja, senhor!!!!
A figueira!!!!
Por Astartéia!!!
O topo da montanha.
Vejam!!!
Se atravessarmos para este lado, chegaremos em cima da montanha.
Vamos!!!!
O que estão esperando?
Baltar então grita.
-Espere, Isthar.
Não atravesse para o outro lado.
Isto está parecendo ser um feitiço.
Olhe a névoa que está se formando.
Isto é uma ilusão, uma armadilha.
Se fosse real, Anurius teria me dito.
Fique onde está, Isthar!!!!!
-Mas, senhor.
Veja!!!!
A figueira está quase ao alcance de nossas mãos.
Não precisamos arriscar nossas vidas enfrentando estes demônios.
É só saltarmos e estaremos no topo da montanha.
Fiquem aqui!!!!
Eu pegarei a lamparina.
-Não, Isthar!!!!!
Não faça isso!!!!
Não pule!!!
Hamilcar, segure-o!!!!
Hamilcar corre tentando impedir Isthar, que salta para o outro lado.
Neste momento, algo terrível acontece.
O céu escurece e os demônios da floresta começam a gritar.
Derrepente, um silêncio se faz, e o sino começa badalar.
Após seis badalos, o sino para, e depois de alguns instantes, um outro sino começa a tocar. Baltar então percebe o que está acontecendo.
- Isthar, saia daí.
O sino já badalou duas vezes.
Ele vai badalar de novo.
O tempo irá se esgotar.
Volte para cá, depressa, Isthar!!!!
Isthar tenta saltar de volta para a trilha, mas um de seus pés se prende nas raízes das árvores retorcidas.
Um novo sino começa a badalar.
Isthar consegue cortar as raízes com sua espada.
E quando o sino aproxima-se do sexto badalo, ele então consegue saltar.
Voltando para trilha.
Ele então percebe que o que ele tinha visto era uma ilusão.
-O que foi que eu fiz?
Perdoe-me, Príncipe Baltar
Só quis ajudar.
Pensei que pulando para o outro lado, chegaria mais rápido até a figueira.
Por Astartéia!!!
Me perdoe, nobre Príncipe
Hamilcar xinga Isthar.
-Agora não adianta se arrepender, Isthar.
Tu és mesmo um estúpido.
Tu não ouvistes as ordens dadas pelo príncipe?
Desperdiçasses três badaladas do sino.
Agora só restam mais três.
Por Astartéia!!!!
Tenho vontade de esmagar tua cabeça.
-Deixe-o, Hamilcar.
Agora não adianta lamentar.
Ele só quis ajudar.
Não percebeu que era um feitiço.
Não podemos perder mais tempo.
Só nos restam três badaladas.
Preparem as espadas.
Vamos entrar na caverna!!!!
Eles corem e chegam até a entrada da caverna.
Jabinit e Hamilcar condenam Isthar com o olhar.
Enquanto isto, na outra extremidade da ilha, Zelgor projeta um novo escudo de proteção, para proteger o navio.
Em volta da trirreme, há milhares de almas escuras, esperando para entrarem.
Sirom, Matho e Agibal amarram os desacordados.
Milesiano continua dormindo profundamente.
Ele está protegido pelo encantamento do dragão azul.
Ao entrarem na caverna, os fenícios são surpreendidos por um forte vento, que sopra misteriosamente.
Eles então adentram na escuridão.
Hamilcar se preocupa com as tochas que estão se apagando.
- Senhor, este vento maldito está apagando as tochas.
Só tem mais duas tochas acesas, e nós não temos mais galhos nem folhas secas.
Se as tochas apagarem não conseguiremos enxergar mais nada.
Por Astartéia!!!!
Que lugar escuro.
E este cheiro?
É horrível.
Que cheiro é este?
Neste momento a tocha de Jabnit apaga.
- O que houve?
Grita Baltar.
-A tocha de Jabnit apagou-se, senhor.
Agora só resta a minha.
-Este vento está muito forte.
Precisamos chegar até as paredes da caverna.
Hamilcar, não deixe esta tocha apagar.
Isthar tampando o nariz reclama.
-Que fedor.
Por Astartéia!!!
O que tem nesta caverna?
-Isto é enxofre, Isthar.
-Enxofre?
Isto é pior que enxofre, príncipe Baltar.
-Jabnit?
-Fale, senhor.
-Lembra quando travamos aquela batalha no deserto, contra os bérberes?
-Claro que me lembro.
Nós Invadimos aquele deserto.
Mesmo estando em menor número, vencemos a batalha.
O rei Hannon disse que depois daquela batalha, provamos que os fenícios podiam também dominar o deserto.
Saqueamos todas as mercadorias dos bérberes.
Vendemos todo ouro, o cobre, o sal, e os temperos para os gregos.
Lucramos muito nas costas daqueles nômades do deserto.
-Lembra da batalha, Jabnit?
O que usamos para derrotá-los?
O feitiço que aquele velho persa nos ensinou, quando o acomodamos em nossa trirreme.
Lembra aquelas pedras incandescentes?
-Sim, aquelas pedras eram mágicas.
Elas incendiavam com o fogo.
Os bérberes acharam que nos éramos feiticeiros.
Corremos com eles de lá.
-Aquelas pedras eram enxofre.
Ao contato com o fogo elas inflamam.
Hamilcar!!!!
Traga tua tocha até aqui.
Isthar, Jabnit, catem algumas pedras.
-O que tu vais fazer, senhor?
Não acredito que estas pedras são capazes de pegar fogo.
-Espere e verás, Isthar.
Se as pedras pregarem fogo, tu carregarás duas tochas.
-Depois dizem que eu é que bebo.
Já vi tudo em minha vida.
Mas nunca vi pedra pegar fogo.
Jabnit e Hamilcar começam a rir.
Baltar rasga um pedaço de sua roupa, e enrola duas pedras, as colocando-as na tocha.
Hamilcar então se aproxima com fogo, e ao encostar-se à tocha de Baltar, esta começa a pegar fogo.
-Não disse que o enxofre pegava fogo, Isthar.
-Por Astartéia!!!!
Tu és um feiticeiro, senhor.
Porque estas cobrindo o rosto?
Jabnit e Hamilcar acendem mais tochas com o enxofre, e também cobrem o nariz.
O príncipe então dá duas tochas á Isthar.
-Acho melhor cobrires o nariz, Isthar.
Se achastes o cheiro do enxofre forte.
Imagine esfumaçado.
-Por Astartéia!!!!
Estas pedras só podem ser do inferno.
Vai ver que é por isso que os Morfiros vivem aqui.
Os fenícios agora estão com o caminho iluminado, apesar do mau cheiro que exala das tochas.
O espaço de dentro da caverna é enorme.
No teto, há centenas de morcegos pendurados.
Alguns sobrevoam por sobre as tochas.
Seus gritos ecoam como uma sinfonia póstuma.
Os homens então enxergam uma fenda no fundo da caverna.
Derrepente, ouve-se um ruído.
-Vejam aquela fenda.
Há uma luz no fundo.
Pode ser uma passagem para chegarmos até o topo da montanha.
-Que barulho é este, senhor?
-Não sei Hamilcar, parece ruído de ratos.
-Ratos?????
Tem ratos ai dentro?
Isthar aproxima-se e diz.
-Preferia que tivesse serpentes, Hamilcar?
Se não te conhecesses, diria que tu estas com medo dos ratos.
-Olhe o meu tamanho, Isthar.
Achas que um pequeno rato é capaz me assustar?
O ruído aumenta, derrepente, surgem centenas de olhos vermelhos saindo da escuridão.
Jabnit então grita.
-Aqueles ratos não têm nada de pequenos.
São enormes!!!!
Estão vindo para cá.
Por Astartéia!!!!
As ratazanas passam entre as pernas dos fenícios.
O chão parece um mar de ratos.
Os bichos são enormes e nojentos.
O príncipe pede para que os homens não se mexam.
-Não façam nem um movimento.
Se um destes ratos nos atacarem, todos atacarão.
-Eu poderia matar todos com minha espada, senhor.
-Isthar
Por Astartéia!!!!
Guarde esta espada.
Se me desobedeceres de novo, eu cortarei tua cabeça.
Onde está o Hamilcar?
-Estava aqui do meu lado agora mesmo.
Onde aquele grandalhão se meteu?
Olhe, senhor.
Que luz é aquela lá no fundo?
Parece ser uma tocha.
É Hamilcar!!!
Porque ele está correndo daquele jeito?
Isthar como sempre, ironicamente diz.
-Não disse que ele estava com medo.
Imagine, quem acreditaria nisso.
O grandalhão de Sidon.
O grande guerreiro fenício, com medo de ratos.
Os ratos desaparecem.
As gargalhadas de Isthar mistura-se com os gritos dos morcegos.
Hamilcar volta para a entrada da fenda depois de correr como louco.
Ele então disfarça e diz.
-Matei quase todos os malditos.
Os que eu não consegui decepar com minha espada, esmaguei com os pés.
-Estranho, Hamilcar, não estou vendo sangue na tua espada.
- O que estas querendo dizer, Isthar?
Queres ver sangue na minha espada?
Posso mostrar-te se quiseres.
-Homens, parem com isso.
Vejam!!!!
Será fácil escalar esta montanha por dentro.
Há uma outra fenda ali em cima.
Ela deve levar até o topo.
A corda já está pronta, Hamilcar?
-Está pronta, senhor.
Mas esta corda não aquentará o peso de nós quatro.
Teremos que subir um depois do outro.
O que houve, senhor?
Estás bem?
Baltar leva suas mãos á cabeça.
-Minha cabeça está doendo.
A última fez que senti isto, foi quando o maldito sino tocou.
A intuição do príncipe não falha.
O sino soa sua sétima badalada.
O ar se torna mais pesado.
De dentro da caverna, os fenícios vêem a violenta tempestade que está se formando do lado de fora.
Os raios relampejam e os trovões bradam na ilha fantasma.
Derrepente, um raio cai na entrada da caverna.
Os relâmpagos projetam estranhas sombras nas paredes.
São figuras sinistras.
Hamilcar fixa seus olhos, e percebe as silhuetas nas sombras.
Que formam corpos magros, com chifres na cabeça, segurando tridentes.
-Vejam!!!!
São os demônios!!!!!
Os Morfiros entraram na caverna.
Por Astartéia!!!!
Deve ter uns duzentos demônios ali.
Os fenícios sacam suas espadas, Jabnit então diz.
-Senhor, só nos restam mais duas badaladas.
Tens que buscar a lamparina.
Vá!!!!!
-Mas e os demônios, Jabnit?
Se ficar, ajudá-los-ei a enfrentá-los.
Hamilcar também se manifesta
-Jabnit tem razão, príncipe Baltar.
Vá enquanto há tempo.
Nós cuidaremos destes demônios.
Vamos distrair estes malditos.
Vá senhor!!!!!
Nós seguiremos logo atraz.
-Quando eu chegar até o topo, amararei a corda na figueira e a jogarei para cá.
Subam os três juntos.
Esta corda é resistente.
Ela vai agüentar.
Que Astartéia os proteja.
Hamilcar com os olhos lacrimejados, diz ao príncipe.
-Nós estaremos bem, senhor.
Vá buscar a lamparina de ouro!!!!
Baltar enrola a corda na cintura e começa a escalar a caverna.
Suas mãos sangram enquanto ele se afirma nas rochas cortantes.
Á sua frente, há uns sessenta metros de escalada.
Ele sobe rapidamente, ignorando os cortes em suas mãos.
Á baixo, os outros guerreiros preparam-se para batalha.
Isthar fazendo malabarismo com a espada, diz a Hamilcar.
-Veja, Hamilcar.
São pigmeus.
São tão magros que é possível enxergar suas costelas.
Anut tinha razão.
São horríveis
Vamos homens!!!!!
Vamos mostrar a estes demônios o fio de nossas espadas fenícias.
-Vou esmagar estes malditos com minhas próprias mãos.
Venha, Jabnit.
Vamos decepar estes miseráveis como fizemos com as Carnigeras.
Os fenícios partem para o confronto.
Hamilcar grita com sua espada em punho, enquanto Jabnit mais atrás, uni suas duas espadas, as afiando.
Isthar caminha firmemente com sua espada na cintura.
Ele dá longas passadas enquanto arregaça as mangas.
Os Morfiros se revelam.
São demônios pequenos, com pouco mais de um metro de altura.
São magros e negros como a noite.
Os demônios tem seis chifres na cabeça e uma calda bem fina.
Seus olhos negros reluzem no aço de seus tridentes, que tem o dobro de seu tamanho. Eles usam uma bolsa de couraça atravessada.
Parece ser couro de porco.
Dentro de cada bolsa há centenas de escorpiões.
Os Morfiros saltam de um lado para outro.
Tentando atingir os fenícios com seus tridentes afiados.
Isthar corre e se lança, deslizando no chão, dando rasteira nos demônios que ao caírem, são decepados por sua espada.
Hamicar pisoteia os pigmeus, esmagando suas cabeças e chutando-os longe.
Jabnit com suas duas espadas unidas, corta as cabeças dos demônios.
Como se estivesse usando uma tesoura.
Um dos morfiros consegue atingir a panturrilha de Hamilcar com o tridente.
Ele grita, e esmaga com as próprias mãos a cabeça do demônio.
Que explode, jorrando sangue em sua cara.
Baltar está há uns dez metros da saída.
Derrepente, ele se desequilibra ao firmar uma das pernas e cai.
Por sorte, o príncipe consegue firmar-se com uma das mãos.
Ele então olha para baixo.
Sabe que se cair morrerá.
O barulho de uma pedra rachando começa estalar em seu ouvido.
A rocha em que ele está pendurado, está prestes a desmoronar.
Ele então balança-se de um lado para o outro, e ao impulsionar-se, salta firmando-se em outra rocha.
Neste momento, seu espírito contagia-se de coragem.
O jovem príncipe escala a caverna confiante.
Seguindo seus instintos, ele então finalmente consegue chegar até o topo.
Ao sair, a dor em suas mãos é logo esquecida após contemplar a mágica figueira que está na sua frente.
A árvore é radiante.
Suas folhas são verdes e douradas.
Até mesmo os figos parecem serem de ouro.
Em volta da figueira há uma intensa luz dourada e iluminada.
Como se fosse a áurea de um anjo.
Baltar senti uma paz ao olhar para ela.
Ele então amarra a corda em seu tronco, lançando sua ponta através da fenda.
O príncipe grita, avisando os outros que podem subir.
Após avisar seus amigos, Baltar volta para figueira e começa a cavar rente a raiz.
Jabnit percebe que o príncipe conseguira chegar ao topo, e ao ver a corda, grita.
-Vejam!!!!!
O príncipe Baltar conseguiu.
Ele lançou a corda.
Vamos subir!!!!
-Tu sabes que esta corda não aquentará nosso peso, Jabnit.
Temos de subir um por vez.
Vais tu.
Proteja o príncipe Baltar.
Depois eu e Isthar decidimos quem será o próximo.
Jabnit sobe pela corda, enquanto Isthar e Hamilcar lutam com os demônios.
Apesar da distância e da capacidade física de Jabnit, ele chega rapidamente até em cima. Baltar fica feliz ao rever um de seus amigos.
Jabnit, nobre amigo, que bom que estas aqui.
Fico feliz em te ver.
E os outros?
Como estão se virando com os demônios lá em baixo?
-Aqueles pigmeus são terríveis, senhor.
Eles nos atacam em bandos de três ou mais.
Felizmente nossas espadas são afiadas.
Esta é a figueira?
É linda.
Como pode existir uma árvore tão bela e tão cheia de vida nesta terra da morte?
-Jabinit, venha, ajude-me a encontrar a lamparina de ouro.
Jabinit corre em direção a figueira, e sem perder tempo, começa a cavar.
Enquanto Hamilcar e Isthar estão de baixo de mau tempo.
Eles então conseguem fazer uma barreira, colocando pedras na entrada da fenda. Impedindo assim a passagem dos Morfiros.
Porém , estes começam a forçar, e a barreira vai desfazendo-se.
-Por Astartéia, Isthar.
São muitos.
Não vamos conseguir deter estes demônios.
Os malditos vão conseguir atravessar esta barreira.
-O que estas esperando, Hamilcar?
Suba naquela corda de uma vez.
Salve tua vida.
Vá antes que eu mude de idéia.
-Mas Isthar, não posso deixar-te aqui sozinho, não farei isso.
-Deixe de ser estúpido, grandalhão.
Olhe a entrada da caverna.
Estão vindo mais demônios.
Se nós dois ficarmos aqui, ambos morreremos.
Não podemos subir pela corda juntos.
Só o teu tamanho, vale por três homens.
E mesmo se conseguíssemos, estes demônios iriam tentar nos impedir.
Vá enquanto há tempo, Hamilcar.
Tu já estas com este ferimento na perna.
Não vais agüentar por muito tempo.
Deixe-me honrar minha morte, salvando meus amigos.
Talvez com isso, Astartéia reserve um bom lugar para mim.
Vá logo grandalhão.
Não me olhe com esta cara.
O que estou fazendo por ti, faria por qualquer outro.
Hamilcar com os olhos lacrimejados e o coração apertado, agradece ao amigo.
-Jamais esquecerei o que estas fazendo por mim.
Nem se eu tivesse todo o ouro do mundo iria conseguir pagar-te.
Obrigado, meu nobre amigo.
- Quando saíres desta ilha maldita, prometa-me que tomarás todo o vinho que existe, e te deitarás com todas as belas mulheres que vires.
-Prometo que honrarei esta promessa.
Neste momento, as pedras desmoronam.
Os Morfiros conseguem desfazer a barreira.
Isthar então grita.
-Vá, Hamilcar!!!!!
Suba nessa maldita corda.
Demônios miseráveis!!!!!
Só irei me entregar depois de morto.
Podem vir seus malditos!!!
Venham sentir a ira da minha espada!!
Hamilcar sobe pela corda, enquanto Isthar está tomado por uma força misteriosa, como se estivesse possuído.
Ele golpeia com sua espada, matando vários Morfiros ao mesmo tempo.
O guerreiro fenício os chuta, os soqueia, e até a dentada os mata.
Enquanto Isthar é tomado pela fúria e Hamilcar sobe arduamente, Baltar encontra a relíquia na figueira.
-Olhe, Jabnit.
Encontrei, a lamparina!!!!
Está aqui.
É mesmo uma relíquia.
-Por Astartéia, é ouro puro, senhor.
O que é isto gravado nela?
São iniciais?
-Parecem símbolos, não sei, está em outro dialeto.
Baltar senti um arrepio em todo seu corpo
E um misterioso calor sobe por sua coluna, ao olhar as inicias gravadas na lamparina. Formadas pelas letras I, N, R, I.
Derrepente, são surpreendidos por um berro.
-Me ajudemmmm...
-É Hamilcar!!!!!
Por Astartéia!!!
O que aconteceu?
Jabnit, vá ver o que houve.
Jabnit corre em direção a fenda e vê Hanilcar subindo.
Ele nota que a corda está arrebentando com o peso do amigo.
Hamilcar está apavorado.
Ele não consegue mover nenhum músculo.
-Venha, Hamilcar.
Se ficares ai parado, vais cair.
-A corda está arrebentando, Jabnit.
Não vou conseguir subir.
-Tu estas quase perto, homem.
Não desista agora.
Chegue ao alcance da minha mão, então te segurarei.
Hamilcar fecha os olhos e respira profundamente, ele então retorna a subir.
A corda estala e começa a desfiar.
Baltar aproxima-se e vai ver o que está acontecendo.
-O que houve com Hamilcar?
Porque eles estão demorando a subir.
-A corda está rompendo, senhor.
Hamilcar vai cair!!!!
Isthar ainda está lá com os demônio.
Ele também não vai conseguir subir.
-O que estas dizendo?
Por Astartéia!!!!
Hamilcar, venha, rápido.
Não olhe para baixo.
Suba!!!!
Tu vais conseguir.
Baltar entrelaça suas pernas na base da corda que está amarrada ao tronco da figueira.
Ele então segura as pernas de Jabnit, que lança a metade de seu corpo para dentro da fenda.
Hamilcar sobe incansavelmente.
Ele está se aproximando de Jabnit.
Estão quase conseguindo encostarem-se as mãos.
Derrepente, a corda arrebenta.
Hamilcar grita, mas Jabnit consegue segura-lo.
Baltar faz uma força tremenda para suportar o peso.
Ele sabe que se soltar as pernas de Jabnit, os dois cairão.
O príncipe se desespera.
Não está suportando a dor em seus braços.
Ele então olha para lamparina que está no chão.
Derrepente, uma luz misteriosa surgi na lamparina.
E as inicias que estão gravadas nela começam a transcenderem-se.
Alguma coisa começa acontecer.
Cada uma das letras projetadas, transforma-se em um guerreiro em forma de energia.
O príncipe fenício não consegue acreditar no que está vendo.
Á sua frente há quatro guerreiros.
Um de fogo, um de terra, um de ar, e um de água.
Eles são seres altos e brilhantes.
Parecem anjos iluminados.
O ser de fogo segura uma espada.
O ser de terra segura um machado.
O ser de ar segura um arco
E o ser de água segura uma lança.
No peito de cada um há uma estrela de cinco pontas desenhada.
Em suas testas há um símbolo, representando suas respectivas ordens.
Os guerreiros então se aproximam de Baltar, e ajudam-no a puxar Jabnit e Hamilcar.
Após ajudarem, eles se despedem do príncipe fazendo o sinal das três doutrinas.
E através de uma magia, voltam para a lamparina.
-Jabnit, Hamilcar, vocês estão bem?
-Senhor, quando me puxastes, parecia que estavas com a força de cem homens.
-Foi a lamparina, Jabnit.
Ela é realmente mágica.
As quatro iniciais transformaram-se em quatro guerreiros iluminados.
Pareciam anjos.
Nunca havia visto uma magia como esta.
Eles pareciam Deuses.
Hamilcar agradece seus amigos.
-Obrigado por me salvarem, mas não sei se minha vida valerá a pena.
Se a corda não tivesse arrebentado com meu peso, Isthar teria uma chance para subir.
Eu só vim porque ele insistiu muito.
Entregou sua vida pela minha.
-Os demônios o pegaram?
Pergunta Baltar.
-Enquanto subia, eu vi tudo, senhor.
Isthar estava enfurecido, lutando com aqueles demônios.
A última vez que o vi lutar assim, foi quando ele tomou um barriu inteiro de vinho.
Ele os golpeava e os chutava.
Parecia possuído.
Matava cinco, seis ao mesmo tempo.
Derrepente, os Morfiros surgiram com uma erva daninha.
Quanto mais ele matava, mais apareciam.
Isthar então caiu.
Foi horrível.
Os demônios largaram os escorpiões em cima dele.
Ele tentava gritar, mas não conseguia.
Seu corpo todo começou a tremer, até que paralisou com o veneno dos escorpiões.
Os demônios então o amarraram e o levaram.
Devem estar levando ele para a mesa de pedra, para ser sacrificado.
-Isthar sempre foi esperto.
Ele sempre conseguiu enganar a morte.
Não sei explicar, Hamilcar.
Mas alguma coisa me diz que vamos vê-lo novamente.
-Que tuas palavras se concretizem, senhor.
Que luz é aquela vindo ali da floresta?
Parece um templo.
Veja!!!!! A cúpula é toda de cristal.
Não me recordo de tê-lo visto quando passamos pela floresta retorcida.
-Aquele é o santuário, Hamilcar.
Não está muito longe.
-Mas como faremos para descer até lá, senhor?
Jabnit que estava do outro lado, aparece com uma boa notícia.
-Senhor, encontrei uma ponte que liga os dois lados do penhasco.
Ela está do lado da montanha.
Se á atravessarmos, chegaremos mais rápido até o santuário.
Baltar então diz:
-Vamos até lá!!!
Não podemos perder mais tempo.
Está na hora de acender esta torre.
Baltar pega a lamparina de Shamballa e a põem na cintura, amarrada em um pedaço de corda.
Eles então correm até a ponte.
O jovem príncipe mais uma vez tem um mau pressentimento.
Só que desta vez, o medo aflige sua alma.
Um calafrio lhe sobe a espinha em cada passo.
Derrepente, o céu escurece e o sino toca sua oitava badalada.
Os assovios que os ventos fazem dentro da floresta retorcida, ecoam onde eles estão.
A ponte de madeira começa a balançar de um lado para outro, impossibilitando a passagem.
Mesmo assim, Baltar está disposto a atravessá-la.
A coragem do príncipe encoraja Jabnit e Hamilcar.
Que seguem logo atrás de Baltar.
Com muito esforço, eles conseguem chegar até a metade da ponte.
Que não para de balançar.
Em baixo, há um abismo escuro e sombrio.
Derrepente, ouvisse um brado ensurdecedor.
Eis que então, o pior acontece.
Baltar segurando-se nas cordas trançadas na ponte, olha e treme de medo.
O frio em sua alma, refrigera seu coração.
O pior pesadelo está diante de seus olhos, vindo em sua direção.
Ele está o vendo pela primeira vez.
Mas a sensação que lhe vem a alma, é como se já o conhecesse.
O demônio abre suas asas e cospe fogo no céu, mostrando toda sua maldade.
Jabnit e Hamilcar também estão afoitos.
Não conseguem acreditar no que está diante de seus olhos.
Aldegaron está vindo em direção a ponte.
O dragão negro segura seu cetro da morte, e prepara sua calda como se fosse dar uma ferroada.
Jabnit, desesperado, grita.
-Por Astartéia!!!!
O dragão negro foi libertado.
O senhor dos exércitos das trevas está vindo para cá.
Vamos morrer!!!!!!
O demônio nos levará para o inferno.
Hamilcar também se desespera.
-O que estas dizendo, Jabnit?
Este demônio negro é Aldegaron?
Por Astartéia!!!!
Ele é horrível.
Sua cabeça parece a cabeça de uma serpente.
É imenso.
Vejam!!!!
Sua calda, é igual a de um escorpião.
Diga que isto não é verdade.
Diga que ele não está vindo para cá.
O maligno está se aproximando.
Cuidado, príncipe Baltar!!!
Proteja-se!!!!
Segurem firme nas cordas.
Aconteça o que acontecer, não larguem esta ponte.
Aldegaron voa em direção a ponte.
O demônio então ergue seu cetro e a corta bem no centro.
Ao partir no meio, um dos lados da ponte cai no abismo escuro.
Por sorte os fenícios estavam no outro lado.
Que por milagre ainda está sustentado pelas cordas.
O dragão negro brada vorazmente, formando o símbolo do mal com suas labaredas de fogo.
Ele então volta para completar sua crueldade.
Os guerreiros escalam o lado da ponte que está se desprendendo das cordas.
Baltar sabe que não conseguirão chegar a tempo em cima do precipício.
Os bambus que formam a ponte começam a desmoronar.
O príncipe então vê uma fenda do lado do precipício.
-Hamilcar, Jabnit, vejam!!!!!
Tem uma abertura logo ali em cima.
Parece uma caverna.
Vamos homens!!!!!
Apressem-se!!!!
Talvez consigamos entrar antes que esta ponte desmorone.
-Senhor, sinto em lhe dizer, mas Aldegaron está voltando.
-Não olhem para o demônio.
Não desistamos.
Nós vamos conseguir.
Já estamos quase chegando.
Baltar consegue entrar na caverna embrenhada nas paredes do precipício.
Por sua vez entram Hamilcar e Jabnit.
Ao entrarem, a ponte desmorona e se lança no abismo.
O demônio enfurece-se.
Seus grunhidos parecem laminas nos ouvidos.
O dragão negro então voa em direção a caverna.
Jabnit então grita.
-Aldegaron está vindo para cá!!!!
O demônio nos viu entrar na caverna.
O que faremos, senhor?
- A montanha é oca.
Esta caverna é igual a outra.
Vejam!!!!!
Tem uma fenda ali em cima.
Não será difícil alcançá-la.
Se tu me levantares, eu conseguirei alcança-la, Hamilcar.
Por Astartéia!!!!
O demônio vai cuspir fogo aqui dentro.
Depressa, encostem-se na parede.
Aldegaron lança uma bola de fogo dentro da caverna.
As labaredas quase atingem os fenícios.
Que estão grudados na parede, incandescente pelo enxofre.
Baltar então percebe uma estranha luz que começa a sair da lamparina.
O príncipe então corre até a entrada da caverna.
Jabnit, grita desesperado.
-Onde vais, senhor.
Estas louco?
O dragão está voltando.
Ele vai incendiar esta caverna de novo.
As paredes estão desmoronando, e o enxofre começou a pegar fogo.
O que vais fazer?
-A lamparina!!!!
Eu posso sentir.
Subam!!!!
Eu vou deter Aldegaron.
Baltar segura a lamparina na entrada da caverna.
Que começa desmoronar.
Hamilcar não consegue levantar Jabnit para que ele alcance a fenda.
Aldegaron aproxima-se preparando-se para atacar.
A montanha da morte começa a trepidar.
Derrepente, um tridente surgi na fenda.
Hamilcar então grita.
-Os Morfiros!!!!!
Eles vão atravessar a fenda.
-Não são os Morfiros, Hamilcar
Veja!!!!
Aquele não é um braço de um demônio.
-Estes braceletes?
Eu já os vi antes.
O estranho então diz:
-Venham logo, seus fenícios estúpidos.
-Anut?
Veja, Jabnit, é Anut!!!
O egípcio está vivo.
-Se querem salvar suas vidas, subam logo.
Hamilcar sobe.
Ao subir, ele então abaixa mais o tridente, para que Jabnit possa alcançá-lo.
-Príncipe Baltar, venha.
Anut está aqui.
Ele está nos ajudando a sair.
-Suba, Jabnit, estou indo logo atrás.
Jabnit segura o tridente e é puxado por Hamilcar.
Ele então pergunta ao egípcio.
-Anut, como conseguiu livrar-te das Carnigeras?
-Não tenho tempo para contar estórias agora, fenício.
Vão!!!!!!
Pulem para aquele outro penhasco.
Estarão a salvos, ali.
Se ficarem aqui, o peso fará com que esta fenda desmorone.
Vão logo!!!!
Eu salvarei o príncipe.
Hamilcar e Jabnit pulam do penhasco, chegando ao outro lado da montanha. Aldegaron chega até entrada da caverna.
E ao tomar fôlego para incendiá-la, é surpreendido por Baltar.
Que salta á sua frente.
O príncipe então ergue a lamparina, que está emergindo uma luz azul e brilhante.
O dragão negro lança a bola de fogo.
O príncipe é jogado para traz, protegido por um imenso escudo de energia.
As paredes da caverna estão cada vez mais incandescestes.
Baltar recuperando-se do impacto, tem uma surpresa ao ouvir uma velha voz conhecida.
-Tua resistência é realmente invejável, fenício.
-Anut?
Mas tu não foi levado pelas Carnigeras?
Como conseguiste escapar?
-Suba no tridente, Baltar.
Esta montanha vai desmoronar.
Venha logo!!!!!!
Neste momento surgi Aldegaron, que chicoteia as paredes da caverna, com sua calda pontiaguda.
Fazendo com que comece a desmoronar.
Anut se desequilibra, deixando cair o tridente.
Ele então grita para o príncipe, que se protege das pedras que estão caindo.
-A lamparina?
Dei-me a lamparina, fenício.
Jogue-a, rápido!!!
-O que, Anut?
-Prove que é um nobre guerreiro.
Dei-me a lamparina, para que eu possa acender a torre e salvar nossas vidas.
-Mas esta missão é minha, Anut.
Eu devo acender a torre.
-E como achas que vai conseguir, fenício?
Veja!!!
Aldegaron está voltando.
Ele vai matar-te.
Deixe de ser egoísta, fenício.
Pelo menos de uma chance para que teus amigos possam se salvar.
Vamos!!! Jogue-a, rápido.
Baltar senti a dúvida invadir sua consciência.
Ele então olha para lamparina, que mais uma vez transcende as quatro inicias, que refletem nas paredes da caverna.
Uma força toma conta de seu espírito, transformando sua dúvida em certeza.
Ele então responde ao egípcio.
-Esta missão foi predestinada a mim, Anut.
Eu buscarei a chama de Orion!!!
-Te condenaste a morte, fenício.
Breve nos encontraremos nas portas do inferno.
A montanha desmorona.
Anut corre e consegue pular o penhasco, chegando do outro lado.
Baltar corre até a entrada da caverna com a lamparina nas mãos.
Aldegaron prepara-se para seu golpe final.
No outro lado da montanha, Jabnit e Hamilcar pressionam Anut.
-Onde está o príncipe?
-Ele quis entregar-se a morte, Jabnit.
E condenou a todos nós por não querer me entregar a lamparina de ouro.
Ainda tínhamos uma esperança.
Poderíamos acender a torre.
Hamilcar parte para cima de Anut .
-O que estas dizendo, egípcio?
Que o príncipe não é nobre?
Jabnit então grita.
-Vejam!!!!!
Aldegaron!!!!!
O demônio está destruindo a caverna.
Por Astartéia!!!!
O que o príncipe está fazendo, parado na frente dele?
Aldegaron aproxima-se e inclina sua calda.
Baltar fecha os olhos, enquanto segura fortemente a lamparina.
O demônio então abate a caverna, a destruindo por inteira.
A poeira negra mistura-se ao vermelho do enxofre incandescido.
Jabnit do outro lado, se desespera e grita.
-Príncipe Baltar!!!!!!!
Nãooooooooooo!!!!!
Derrepente, uma luz branca surgi no meio da fumaça.
Jabnit e Hamilcar não acreditam no que vêem.
Baltar flutua no ar, e em suas costas surgem duas asas iluminadas.
O dragão negro brada enfurecido.
O príncipe então saca uma espada de fogo de dentro da lamparina, e a segura como um escudo, projetando as quatro inicias que se unem, formando um imenso pentagrama de luz.
A luz intensa e poderosa que sai da estrela, cega os olhos do demônio, impedindo-o de se aproximar do príncipe.
Aldegaron então abre um portal com seu cetro.
Antes de atravessar a fenda, o dragão negro mira Baltar com seus olhos de fúria.
E após atravessar o portal, ele desaparece.
-O príncipe conseguiu.
Ele expulsou Aldegaron.
Veja, Hamilcar.
Baltar parece um anjo com aquelas asas.
Ele é o escolhido.
Só ele poderá acender a torre.
Só ele poderá despertar a chama de Orion.
Solte Anut, Hamilcar.
Ele nos salvou.
-Nunca mais duvide da coragem do príncipe.
Ele é um nobre guerreiro.
Algo que tu jamais serás, Anut.
-Não conte com isso fenício, ele ainda não acendeu a torre.
Baltar voa em direção ao penhasco e diz a os seus amigos.
-Homens, me esperem na torre.
Vou até o santuário buscar a chama de Orion.
-Mas senhor, como fará para chegar até a torre?
Só resta mais uma badalada, e a distância entre o santuário e a torre é muito grande.
-Anurius disse que existe uma câmara secreta dentro do santuário.
É um atalho, que levará mais rápido até a torre.
Encontrarei esta câmara e então seguirei.
Nos encontraremos lá.
Acreditem, prometo que sairemos desta ilha.
Agora vão!!!!
Protejam-se.
Que Astartéia os acompanhem.
Baltar bate as asas e voa em direção ao santuário, enquanto Jabnit, Hamilcar e Anut descem o desfiladeiro.
Uma última esperança renasce em seus corações ao verem o príncipe se aproximar do santuário.
Ele está voando contra o tempo, buscando a última esperança que lhes restam.
Ele está indo em busca da chama de Orion.
-O que está acontecendo, guardião?
Que portais são estes que estão se abrindo?
-O tempo está voltando ao normal, Baltar.
Por isso estas fendas se abriram.
Para que os seres possam voltar para seu mundo.
Milesiano conseguiu desfazer a magia de Aldegaron.
Está na hora de voltar, Baltar.
Tens que voltar para ilha fantasma.
Baltar e o mentor guardião saem de dentro do escudo de proteção.
Ao atravessarem o pentagrama de luz, ambos tem um encontro com a morte.
O mentor sombrio estava os espreitando.
O demônio lança um raio no pentagrama e desfaz a magia.
A estrela de luz desaparece.
O demônio então parte para cima de Baltar com seu tridente de aço.
O mentor guardião saca sua espada a tempo e consegue impedir o maligno.
Os dois mentores então começam o combate.
O céu do mundo dos sonhos escurece, fazendo surgir uma tempestade de raios.
-Baltar, tens que ir agora.
Vá, que eu segurarei o demônio.
-Mas como farei para voltar, guardião?
-Siga teu cordão de prata.
A linha luminosa te levará até o teu corpo.
Quando te aproximares, os dois corpos se unirão novamente.
Vá Baltar!!!!
Tens que ir logo.
Lembre-se.
Estarei sempre te protegendo.
Nunca te afasta da luz.
Vá Baltar.
Voe com teu espírito.
-Jamais te esquecerei, nobre guardião.
Jamais me afastarei da luz.
Obrigado por me proteger, nobre amigo.
O mentor guardião consegue deter o mentor sombrio, usando uma prisão de energia. Enquanto o espírito do príncipe voa.
Ele então atravessa uma das fendas e chega a ilha fantasma.
Ao longe, ele vê seu corpo dentro do círculo de proteção, na entrada do sepulcro.
Ele também vê Jabinit, Isthar e Hamilcar, ainda congelados.
Ao se aproximar de seu corpo, ele tem a sensação de estar entrando dentro de um túnel de luz.
Os dois corpos então se unem, desfazendo a magia.
A viagem pelas dimensões chega ao fim.
Baltar acorda, recuperando a consciência no mundo azul.
Isthar e Hamilcar também despertam.
Todos estão tontos e confusos.
-Por Astartéia!!!
O que aconteceu?
Minha cabeça dói.
E este gosto que estou na boca?
Parece que tomei três barris de vinho.
O que tem neste pentagrama, príncipe Baltar?
Porque teu nariz está sangrando?
-Também sinto dor na minha cabeça, Isthar.
Não sei explicar.
Não entendo.
O sino tocou sua terceira badalada.
Onde estão as almas escuras?
Não sei porque meu nariz está sangrando.
E tu, Hamilcar?
Como estas?
Também senti dor na cabeça.
E tu, Jabnit?
Estas sentindo alguma coisa?
Porque não respondes?
Hamilcar, ainda meio tonto responde.
- Eu estou bem, Príncipe Baltar.
Eu me sinto um pouco estranho.
Tenho a sensação de ter dormido um dia inteiro.
Acho que Jabnit também parece estar dormindo.
Por Astartéia!!!
Ele está dormindo em pé.
-Deite-o no chão, Hamilcar.
Rápido.
O que está acontecendo?
Acho que alguma coisa aconteceu ao entrarmos neste pentagrama.
Parece que fomos enfeitiçados.
-Veja, Jabnit está acordando.
-Por Astartéia!!!
Onde estou?
Hamilcar!
Precisamos puxar o Hamilcar para dentro do círculo de proteção.
Se não as almas escuras o pegarão.
Baltar!!!!
Eu preciso proteger o príncipe!!!!
-Hei amigo, já estou aqui dentro.
Acalma-te.
Príncipe Baltar acha que fomos enfeitiçados ao entrarmos no círculo de proteção.
As almas escuras se foram.
Não sabemos o que está acontecendo.
-Está tudo bem, nobre amigo.
Estamos todos juntos.
Preciso encontrar o mestre Anurius.
Precisamos acender esta torre.
-Achas que realmente ele está ai dento?
Será que aquele egípcio maldito não nos enganou?
-Acredito que não, Isthar.
Anut nos indicou o caminho certo.
Anurius está dentro do sepulcro.
Posso sentir.
É como se ele estivesse me esperando.
Farei com que o guia me de as chaves do santuário.
Aconteça o que acontecer, não saiam daqui.
Pois aqui vocês estarão protegidos.
Não vou demorar.
Acreditem homens.
Vamos acender esta torre.
-Deixe-me ir junto com o senhor, nobre príncipe.
-Não, Jabnit.
Terei de ir sozinho.
Fique aqui e proteja Isthar e Hamilcar.
Isthar comenta com um ar irônico.
-Como se Jabnit fosse capaz de nos proteger.
-Isthar, não saia de dentro do círculo de proteção.
Em breve voltarei com as chaves do santuário.
Que Astartéia nos proteja.
Baltar abre a porta do sepulcro.
Ao entrar, a porta se fecha misteriosamente.
E as tochas que estão alinhadas no corredor que leva a câmara principal, acendem uma a uma, como mágica.
O príncipe senti um arrepio em seu corpo ao adentrar no corredor iluminado pelo fogo.
Nas paredes, há desenhos e símbolos, descrevendo os rituais de embasamento dos corpos, realizados por Medicis e Anurius.
Baltar chega a câmara principal.
É uma sala imensa.
Há vários sarcófagos, um do lado do outro.
No centro da câmara, há um templo onde eram feitos os crematórios.
Para a realização dos rituais da passagem.
No fundo, há milhares de abotijas de ouro em estantes de madeira.
Guardando as cinzas dos mortos.
Em cada uma há um nome e um símbolo gravado.
O príncipe fica admirado com a quantidade de ouro que há no salão, espalhado nas paredes, nos sarcófagos e no teto.
Derrepente, uma sombra surgi á frente de Baltar.
A figura projetada na parede mostra um ser alto, usando um elmo que lembra a cabeça de um chacal.
A sombra também mostra que ele está segurando um cetro.
O príncipe fenício então se vira e diante de seus olhos Anurius se apresenta.
Ele está usando uma túnica branca.
Porém não muito comprida.
Ele está usando braceletes e sandálias de ouro.
Seu elmo é dourado e preto.
Com a cabeça de um chacal desenhada.
Seu cetro também é de ouro.
Coberto de rubis e esmeraldas.
O grande guia então tira seu elmo, e revela sua face dizendo ao príncipe:
-Estava a tua espera, nobre guerreiro.
-Mestre Anurius!!!
É uma honra estar diante de vós.
Meu mestre falou-me de suas estórias e de sua nobre missão.
-O destino lhe presenteou com um sábio mestre.
O grande mago é um dos portadores da luz.
Sinto a força dele em vosso espírito.
Se continuares seguindo seus passos.
Te tornarás um grande mestre também.
-Então serei merecedor?
Receberei as chaves do santuário, mestre Anurius?
-As chaves apenas abrirão as portas do santuário.
Não despertará a chama de Orion.
-Mas a chama não está emergindo entre as mãos de ouro?
-Quando a chama da torre apagou-se, o fogo sagrado emergido nas mãos de ouro também foi soprado.
-Então não conseguirei acender a torre?
Quer dizer que estamos condenados?
-Não pensei que desistiras tão fácil.
-Mas como farei para acender a torre?
-Aquele que acredita em sua própria capacidade, é capaz de realizar qualquer feito, Baltar.
Ainda tens uma esperança.
Existe uma maneira de reacender a chama de Orion nas mãos de ouro novamente.
Quando Medicis era jovem.
Ele curou o filho de um sábio rei de uma das ilhas distantes de Atlântida, conhecida como Shamballa.
O menino não podia andar.
Nasceu aleijado.
A criança fora amaldiçoada por um demônio maligno, quando ainda estava no ventre da mãe.
Medicis havia expandindo seus conhecimentos na engenharia do corpo.
E havia descoberto uma magia poderosa, através do cordão que ligava os recém nascidos as mães.
Ele extraia uma essência, capaz de curar varias doenças.
Após curar o menino, o sábio rei Rudrachakrin, em agradecimento a cura de seu filho, deu a Medicis um presente.
A relíquia de Shamballa.
Uma lamparina de ouro.
Dizem que além de ser sagrada, tem grandes poderes mágicos.
Medicis sempre acendia a torre com ela.
E assim o fez pela última vez.
Após acender a torre com a chama de Orion, ele escondeu a lamparina de Shamballa em um lugar secreto.
-E onde ele a escondeu, mestre Anurius?
-Medicis enterrou a lamparina, em baixo da primeira árvore que foi plantada em Atlântida.
-A figueira!!!!!
A árvore que foi plantada pelas próprias mãos da Deusa Orion.
É a única árvore com vida na ilha fantasma.
Foi a única que não foi atingida pelo fogo.
A figueira está no topo da montanha da morte.
Anut nos mostrou antes de entrarmos na floresta retorcida.
-Somente com a lamparina de Shamballa, tu conseguirás reacender a chama nas mãos de ouro.
-Mas como?
- A lamparina guarda um grande segredo.
Somente aos nobres será revelado.
Terás que busca-lá no topo da montanha da morte, e leva-la até o santuário.
A lamparina não só acenderá a chama nas mãos de ouro, como também servirá para que tu possas levá-la até a torre.
Nela, o fogo sagrado estará protegido.
-E o tempo?
O sino já badalou três vezes.
Ao completar as nove badaladas, estaremos condenados.
O santuário fica muito longe da torre.
Primeiro preciso pegar a lamparina na montanha da morte.
Como farei para escalá-la?
Tenho medo de não conseguir, mestre Anurius.
-Nada é impossível quando acreditamos em nossa força, Baltar.
Muitos obstáculos surgem no meio do caminho, mas nunca devemos desistir.
Se deixarmos os sentimentos de incapacidade e o medo nos dominar, então nossa busca será em vão.
Sempre existe uma esperança para aquele que busca a luz.
O caminho é coberto de flores, mas as vezes se enche de espinhos.
Por mais árduo que seja o caminho, nunca devemos desistir de seguir adiante.
Se acreditares que poderá realizar, então conseguirás.
Não desista, Baltar.
Não precisarás escalar a montanha.
Se entrares em uma de suas cavernas, verás que por dentro, será mais fácil para chegar até o topo da montanha.
E a distancia entre o santuário e a torre, pode ser menor do que pensas.
As mãos de ouro estão em uma coluna de mármore.
Se olhares com atenção, irá perceber os símbolos que estão gravados nela.
Escolha sabiamente um dos símbolos.
Pois um deles abri uma câmara, escondida no santuário.
Esta câmara te levará muito mais rápido até a torre.
Pegue isto, Baltar.
Estas duas chaves abrem as portas do santuário.
Agora vá, e cumpra teu destino, nobre guerreiro.
Anurius entrega as chaves do santuário para Baltar e se despede do príncipe fazendo o sinal das três doutrinas.
Uma intensa luz surgi em seu cetro, iluminando todo o sepulcro.
Ele então desaparece.
Baltar atravessa o corredor confiante.
Uma força extrema invade seu espírito.
Aldegaron aproxima-se da trirreme.
Milesiano fixa seus olhos e percebe que alguma coisa acontece.
O demônio está se transformando.
Ele muda de forma enquanto atravessa a névoa escura, até sumir completamente.
O mago fica apreensivo, e olha para todos os lados tentando encontra-lo.
O druida segura fortemente o coelbren, que emergi uma luz dourada e luminosa.
Que reflete em sua túnica branca.
Milesiano senti um calafrio ao ouvir as passadas do maligno.
Eis que então, surgi Aldegaron em sua forma humana.
Seus cabelos negros e compridos, voam com o forte vento que sopra na trirreme.
Sua roupa é toda negra, coberta por uma capa comprida e escura.
Em sua cintura, há um cinturão de bronze, guardando a espada de Natan.
A espada que foi forjada no fogo das trevas.
Em seu peito, há um colete também de bronze, com o símbolo do mal gravado.
O pentagrama invertido.
Em cada uma de suas botas, há seis esporas, tão afiadas quanto suas unhas negras e compridas.
Seus olhos negros parecem duas pérolas escuras da morte.
Ao se aproximar do mago, o demônio diz:
-Por quanto tempo achavas que conseguiria me prender, Solarius?
Usar o dragão azul para derrotar meu exército de demônios de pedra, foi uma escolha inteligente mago.
Vejo que ainda tens poder.
Talvez se minha ferroada tivesse sido mais profunda, quando nos encontramos no deserto da ira, tua magia consumar-se-ia.
Da próxima vez, irei mais fundo.
O que houve contigo?
Tu estas diferente da última vez que nos vimos.
Quando ainda te chamavam de mago dourado.
Lembra-se?
Agora olhe para ti.
Não passas de um velho.
Porque não tomaste teu elixir da longa vida quando ainda era jovem?
Quando ainda era um guerreiro celta.
Porque quis ficar velho e enrugado?
Ha...me desculpe mago.
Esqueci-me que havia tirado tua juventude, ao roubar-te teu orgulho e teu coração.
Porque me olhas com este olhar de ódio?
Não está espantado em me ver em minha forma humana?
A ilha fantasma fortalece a magia das trevas, a deixando ainda mais poderosa.
-O ódio é a única coisa que tu és capaz de enxergar, demônio.
Meu olhar é de repulsa, ao ver tamanha obscuridade e vazio.
De que adianta ser jovem e belo e não ter coração, nem alma.
Ser apenas a casca de uma fruta estragada.
Uma casa vazia e sem luz.
Me tornei velho por saber envelhecer.
Respeitando o ciclo de vida neste mundo.
Não me preocupo com minhas rugas.
Prefiro contar os atos nobres que realizei, ao invés de me preocupar-me com minha velhice.
-E porque ainda és imortal?
O que te prendes ainda aqui?
Poderias estar lutando em Hiperbória, ou até mesmo ter atravessado o oitavo portal.
Ainda não completasse tua missão neste mundo, não é mesmo, velho mago?
Porque não a completa agora?
Porque não sacas tua espada de fogo e corta minha cabeça, como cortaste a do meu filho? Sabes o que é ver um filho morrer, mago?
Talvez um dia tu tenhas esta sensação.
Natan era meu orgulho, minha vida.
Meu amado filho partiu, sem que eu lhe desse um ultímo abraço.
Foi a única vez em que derramei minhas lágrimas.
-Também me tirasse algo precioso Aldegaron.
-Tu estas falando da vampira?
Malena entregou-se a mim facilmente.
Pude ver o brilho da luxuria em seus olhos, quando a possui na Gália.
-E isto para ti não foi o bastante?
Porque envenenou sua mente e escureceu sua alma?
Porque a transformou em um demônio?
-Malena fez sua própria escolha, e escolheu o poder das trevas.
O que eu ofereci a ela, jamais tu poderias ofertar.
Malena sempre foi um demônio.
Quando estava preso em Grimória, descobri que sua gravidez havia sido arquitetada por sua serva maga, através de um feitiço.
Sempre desconfiei de Brígida.
Ao mesmo tempo em que me servia, almejava meu poder.
Quando souberam da profecia, apunhalaram-me pelas costas.
As duas me traíram.
Acreditaram que um vampiro bastardo fosse capaz de me matar.
Tolas!!
Não serei piedoso.
Depois de arrancar a cabeça da maga em Nacovaj, irei atrás da vampira em Gizé.
Disseram-me que foi lá que ela se escondeu.
E falando em esconder.
Diga-me mago.
Onde escondeste o bastardo?
Para onde levou o vampiro?
-Gavennon não é um bastardo.
Apesar de sua maldição, ele está longe de ser um demônio.
Talvez ele venha honrar tua linhagem novamente e desfazer o mal que fizeste.
Como podes desonrar teu próprio sangue?
Dar as costas para tuas doutrinas.
Felizmente, Gavennon herdou a luz.
Tornou-se um nobre guerreiro.
-O que sabes sobre minha linhagem, Solarius?
Antes minha vida era vazia.
Eu era apenas uma sombra, ofuscada pelo brilho dos outros.
Até que meu mestre apresentou-se a mim e me mostrou o poder das trevas.
Me ensinou a verdadeira magia.
Olhe para mim mago.
Se eu tivesse seguido tuas doutrinas, jamais teria este poder.
-Tu te achas poderoso?
És apenas um servo, condenado a viver como um demônio para sempre.
Achas que isso é poder?
-Quando o meu senhor for libertado, ele pagará o meu preço.
Então governarei ao seu lado.
Isto não é poder, mago?
-E quantos exércitos mais tu terás que criar para que isto aconteça?
-Falas como se ainda fosse um guerreiro da luz.
Onde estão os guerreiros da luz agora?
Soube que muitos foram perseguidos e mortos pelo próprio povo que protegeram.
De que adiantou derramar sangue em vão, para depois ser cuspido na cara.
Protegeram os homens de meus exércitos e o que tiveram em troca?
Lembro-me como se fosse hoje, o primeiro exercito que criei.
Não foi difícil convencer o jovem guardião de Atlântida.
Tão ambicioso e envenenado pelo ódio.
Foi ele que criou a ordem da serpente.
Ele criou armas incríveis, capaz de devastar cidades inteiras.
Pena que não era tão ambicioso.
Podia ter conquistado o mundo se quisesse.
Mas contentou-se em conquistar apenas o Egito.
Se não tivesse lançado Núbia em seus braços, talvez tivesse sido diferente.
Ele apaixonou-se profundamente pela sacerdotisa.
As mulheres destroem os homens.
Por isso devem ser escravizadas.
-Talvez Sepertis tenha herdado a herança deixada pelo teu sangue.
Assim como tu, ele também foi um fraco, e entregou-se facilmente as trevas.
E isto não foi a única coisa que ele herdaste de ti.
Jamais entenderam a grandeza e a magia das mulheres.
Somente um verdadeiro alquimista é capaz de entender a força e o poder das mulheres.
As mulheres nasceram para serem amadas, e não para serem aprisionadas.
É por isso que tu sempre as escravizastes?
Por nunca entender sua grandiosidade?
-E de que adiantou ser um grande alquimista, mago?
Tua amada entregou sua pureza a mim dias antes do teu Hieros gamos.
Uivou como uma loba no cio quando rompi seu botão de corola.
Isto foi grandeza ou luxuria?
-Malena foi enfeitiçada.
Foi roubada de mim.
Ela não me entregou seu amor, mas deu-me um filho.
-Tu criaste o vampiro como um filho, não é mesmo, velho mago?
Assim como conhece suas virtudes, deve também conhecer suas fraquezas.
Acredita mesmo que o vampiro pode me matar?
Quantas batalhas nós travamos no deserto da ira, Solarius?
Sabes que mesmo fraco sou poderoso.
Veja o que eu fiz contigo.
Onde está o mago dourado?
A única coisa que vejo na minha frente é um velho inútil e acabado.
Um velho que anseia por minha morte.
Por isso continua ainda aqui.
Por isso protegeu e doutrinou o vampiro.
Como podes jogar meu próprio sangue contra mim?
Tu és um fraco, Solarius.
Teu senhor é um fraco.
De que adiantou me aprisionar por todo esse tempo?
Os homens do mundo azul não acreditam mais nas três doutrinas.
O mal se espalha rapidamente por todo o universo.
Breve os soberanos governarão.
As batalhas em Hiperbória estão se tornado cada vez mais fáceis para nós.
Breve meu senhor será libertado.
-Teu senhor nunca governará o universo.
Pois jamais conseguirá compreender o sentido da existência.
Jamais compreenderá o sentido do amor universal.
Heylel será sempre igual ao mundo que criou.
Preso e limitado.
As três doutrinas jamais serão esquecidas.
Enquanto houver um que acredite no criador, a escuridão nunca apagará a luz.
O mal nunca vencerá o bem.
-Como ousas pronunciar o nome do meu senhor.
O mundo que ele criou é tão grandioso quanto ele.
Porque nunca atravessastes o terceiro portal do tempo, Solarius?
Do que tens medo, mago?
Tens medo de ver o que vai acontecer neste mundo?
Pois eu posso lhe adiantar.
Será uma honra para mim, dizer-te o que está por vir.
O futuro será próspero para meu senhor.
Os homens se corromperão mais facilmente do que agora.
Tuas três doutrinas serão apenas uma sombra ofuscando as trevas.
Os homens matarão por suas terras.
Morrerão e matarão por suas crenças, por suas ideologias e sua ambição.
Proclamarão suas guerras estúpidas.
E muitos inocentes morrerão.
Incendiarão a própria casa, devastando e destruindo o mundo azul.
A natureza será sucumbida pelas próprias mãos dos homens.
Seus atos insanos e suas maldades farão com que a esfera tenha um grande desequilíbrio.
Desencadeando sua destruição.
Criarão inúmeras doenças, mas não saberão controla-las.
Muitos morrerão de fome, de sede, e de pestes desencadeadas.
Muitos se perderão na luxuria, se aprisionarão em sua própria vaidade.
Só serão nobres aqueles que tiverem ouro.
Os que não tiverem serão escravos.
O tempo criado pelo meu mestre aprisionará cada vez mais suas mentes e suas almas. Quando quiserem que o tempo passe suavemente, ele voará.
Quando quiserem que o tempo voe, ele perpetuará.
Não terão mais tempo para seus filhos, para seus pais, nem para si mesmos.
Serão escravos do tempo.
Serão escravos do ouro.
Escravos de suas doenças e de suas preguiças.
Mesmo podendo estender a mão para ajudar o próximo, não o farão.
Mesmo podendo salvar uma vida, a deixarão morrer.
Pensarão somente em si próprios.
Não se respeitarão.
Competirão por suas riquezas e suas vaidades.
Até mesmo os mais justos serão corrompidos.
E também muitos justos serão punidos injustamente.
Muitos templos se erguerão, usando o nome do teu senhor.
Mas servirão ao meu.
Meu senhor governará absoluto, e os homens da terra se curvarão diante dele.
Morrerão e matarão por ele.
E o teu criador, será eternamente esquecido.
Junto com seu conhecimento, sua magia e sua inútil sabedoria.
-Este é o futuro que o teu senhor deseja para humanidade.
Mas o criador plantou sua semente em cada alma que existe no universo.
Talvez no futuro os homens na terra venham a se corromper facilmente.
Mas nunca será tarde para seguir a luz.
Nunca será tarde para se arrepender e enxergar a verdade.
Não acredito que os homens destruirão seu próprio santuário.
Pois a esfera azul faz parte dos homens, assim como os homens fazem parte da esfera azul.
Não acredito que os homens se matarão entre si.
Mesmo falando línguas diferentes, serão todos irmãos.
Pois todos são feitos da mesma matéria.
Todos estão unidos no mesmo espírito.
Chegará um dia em que os homens se libertarão da escravidão do tempo.
E viverão cada segundo de suas vidas.
Dando importância para aqueles que estão perto, mesmo estando distantes.
Acredito que no futuro, aquele que tiver duas túnicas, ofertará uma para aquele que não tiver nenhuma.
Todos se ajudarão, independente de seu sangue, de sua raça ou de sua fé.
Não haverá doenças, pois um cuidará do outro, sem querer nada em troca.
Não haverá desigualdades.
Aquele que tiver comida em abundancia, ofertará para aquele que não tem o que comer.
Todos serão justos e nobres.
Ao invés de guerras, proclamarão a paz.
Ao invés de morte, celebrarão a vida.
Ao invés da intolerância, do desrespeito, do ódio e da injustiça, pregarão a igualdade e o respeito entre todos os seres.
Ao invés de plantarem espinhos, plantarão lírios brancos.
E assim colherão virtudes e nobrezas.
Ao invés de buscarem a escuridão, acenderão a luz, e assim iluminarão todo e qualquer caminho.
Ao invés de semearem o mal, semearão o bem, e assim colherão o amor.
É nesta força que eu acredito.
Não acredito nas tuas promesas esdrúxulas.
No universo tudo pode ser previsto, para assim poder ser mudado.
O grande criador não plantou sua semente em vão.
Chegará um dia em que os homens acordarão e buscarão a verdade.
E esta verdade, tu e teu senhor jamais encontrarão.
Para aqueles que deixam a luz, só lhe restam a escuridão.
-Se não acreditas no destino dos homens, de nada posso fazer.
Pois és tu que estas vendando os teus olhos.
Tuas três doutrinas já se foram.
O equilíbrio se romperá.
Todos os passos que tu destes até agora foram em vão.
E todos os próximos que deres, também serão.
Achas mesmo que o príncipe fenício conseguirá acender a torre?
Enquanto estive aprisionado, me aproximei ainda mais de meu mestre.
Ele agora não quer um exército.
Ele agora quer um império, e eu satisfarei seu desejo.
Pois agora estou mais forte do que nunca.
-Arrumaste um novo discípulo?
Que alma escureceu-se para servir a ti?
Qual demônio te libertou?
-Muitos demônios almejaram me libertar.
Muitos se aprofundaram nas doutrinas das trevas, inspirados em mim.
Este demônio não é tão poderoso quanto eu, mas é um servo fiel.
Além de me libertar, ele está criando um novo exército para mim.
E desta vez serei invencível.
Estes demônios não serão como os vampiros, ou como estes inúteis Gárgorons.
Desta vez terei um exército de verdade, Solarius.
Um exército digno de um imperador.
Desta vez tu não poderás me impedir.
Mesmo que consigas te libertar desta ilha amaldiçoada.
Não poderás me controlar.
É uma pena os guerreiros da luz não existirem mais.
Pois eu iria esmagar todos com meu exército poderoso.
Acho que esta é a última vez que nos encontraremos, mago.
Agora preciso ir.
Meu servo já deve estar consumando sua missão.
Queres que eu leve algum recado?
Estou indo encontrar o vampiro.
Quero ver se realmente ele está preparado para me enfrentar.
Estou curioso para saber que truques, ensinastes para ele.
-Tu jamais encontrarás Gavennon.
Ele está protegido em um lugar seguro.
-E que lugar seria este, Solarius?
Em que lugar escondeu o vampiro?
-Um lugar onde um demônio como tu, jamais poderias entrar.
-Diga-me mago, há quanto tempo não vais a Amazon?
Esqueceste que a ilha sagrada também guarda seus demônios em suas entranhas.
Lá também existem aqueles que deixaram a luz para seguir a escuridão, e se encantaram com a magia das trevas.
-Não podes entrar em Amazon.
Somente os mestres guardiões sabem os mantras mágicos para abrirem os portais.
-Até mesmo os mais nobres mestres são capazes de encantar-se pela magia das trevas.
Quem achas que me libertou, Solarius?
Como achas que conseguirei entrar em Amazon?
Irei arrancar a cabeça do vampiro bastardo, assim como tu fizeste com Natan.
Não serei piedoso, velho druida.
-Antes de enfrentá-lo, terás que enfrentar a mim, demônio.
Milesiano aponta o coelbren para Aldegaron e projeta um imenso triangulo de luz.
Uma energia poderosa começa se concentrar no meio do triângulo.
Relâmpagos e trovões surgem no céu.
Derrepente, o mago é surpreendido pelo demônio.
Que o agarra com apenas uma das mãos, apertando seu pescoço.
A magia de luz se desfaz.
O druida está com os pés longe do chão, tentando livrar-se desesperadamente da mão do demônio, que lhe mira dentro dos olhos e diz:
-Tu estas acabado, Solarius.
Enquanto estive preso, meu poder triplicou.
Teus amuletos e tua magia não podem mais me atingir.
Não passas de um aleijado.
Talvez isto te faça recordar o quanto sou poderoso.
Aldegaron crava suas unhas negras na nuca do druida, sugando ainda mais sua energia.
O demônio então joga o mago no chão, que cai urrando de dor.
-Esquecestes que sou o senhor dos exércitos do mal?
Teus guerreiros de vidro venceram os Gárgorons.
Mas eu serei o grande vitorioso desta batalha.
É uma pena que tu não estejas em Amazon, para me ver arrancar a cabeça de Gavennon. Todos se curvarão diante de mim.
Destruirei as três doutrinas que ainda sobrevivem na ilha sagrada e formarei um império para meu senhor.
Sempre fostes um perdedor, Solarius.
Nunca mudará isto.
Teu criador sempre estará nos pés do meu senhor.
A luz nunca ofuscará a escuridão.
O demônio abre os braços.
O céu se enche de nuvens escuras, e a magia do tempo vai se desfazendo.
O mar então descongela, e a trirreme balança de um lado para o outro.
No meio de raios e trovões, Aldegaron se transforma no dragão negro.
Que depois de completar sua metamorfose, brada vorazmente.
Seu grito faz com que todos os guerreiros de vidro que estão congelados, sejam destruídos.
Eles derretem, enquanto o demônio grita.
Ele então rasga o céu como um anjo da morte.
Deixando o símbolo do mal projetado no ar.
Sirom acorda e fica confuso.
Matho e Agibal também estão assustados.
Eles então avistam Milesiano caído no canto da trirreme e correm para socorrê-lo.
-Mestre!!!!
Por Astartéia, responda?
Vejam!!!!
Ele está sangrando.
Foi atingido bem na nuca.
Parece estar febril.
Vamos leva-lo para dentro.
Os homens carregam o druida para dentro da trirreme.
Milesiano então começa a delirar.
-Baltar precisa acender a torre......temos que chegar a Amazon, antes que seja tarde demais.
Gavennon ainda não está preparado.
Ele não está preparado para enfrentar Aldegaron.
Neste momento, uma luz azul surgi ao lado da trirreme.
Zelgor recupera-se do feitiço lançado pelo dragão negro.
Ele então abre suas asas e cria um imenso pentagrama de luz.
Sirom então diz:
-Vejam, homens!!!
O dragão sagrado projetou um escudo de proteção.
Ele está nos protegendo.
Por Astartéia!!!!
O mestre druida esta sangrando muito.
Vejam!!!!
Zelgor está vindo para cá.
O que ele vai fazer?
A estrela de cinco pontas protege toda a trirreme.
O dragão azul então se aproxima de Milesiano.
Ele então emerge a chama de Orion.
O fogo azul cobre o corpo do druida como um manto de energia, estancando o sangue e fazendo-o dormir profundamente.
Agibal fica admirado com tamanha bondade e magia.
-Vejam o que o dragão está fazendo.
Está curando o mestre druida.
Que ser bondoso e gentil.
Que o príncipe Baltar consiga acender esta torre, para quebrar este feitiço.
Precisamos sair logo desta ilha amaldiçoada.
Que Astartéia nos proteja.
Agibal, Matho e Sirom dividem a mesma esperança.
Os desacordados ainda continuam enfeitiçados.
E cada vez mais se aproximam da morte escura.
Zelgor sobrevoa a trirreme e protege a todos com sua luz.
A névoa negra se aproxima.
As almas escuras estão voltando.
Enquanto isso, no mundo dos sonhos, Baltar se prepara para voltar.
Milesiano volta para seu corpo, que está na posição de lótus na trirreme.
Ele então se levanta rapidamente.
Sirom assusta-se com o salto do druida.
-Mas mestre, tu não ias para outra dimensão?
Porque te levantas tão depressa assim?
-Já estou de volta, Sirom.
-Por Astartéia.
Tu recém sentas-te, mestre
Quando disseste que neste mundo não existia o tempo achei que estavas brincando. Como isto é possível, mestre Milesiano?
Que magia é esta?
-Não tenho tempo para explicar agora, Sirom, chame Matho e Agibal, temos uma batalha para travar.
-Como assim ?
Uma batalha ?
Onde? Contra quem?
Nós não estamos preparados para lutar, mestre druida.
O que esta acontecendo?
-Um dragão negro está marchando para cá com um exército de demônios de pedra.
Por isso o mar está congelando.
Este demônio maligno tem a mania de congelar os mares onde realiza suas batalhas.
Ou ele os congela, ou os transforma em deserto.
Não fique me olhando com esta cara, Sirom.
Mexa-se!!!!
-Um dragão negro?
Demônios de pedra?
Por Astartéia!!!!
O que está acontecendo ?
Neste momento, Matho, que estava no outro canto da trirreme, corre até o mestre druida, com os olhos arregalados e a voz engasgada.
-Mestre Milesiano, tem alguma coisa estranha acontecendo no mar.
Primeiro o mar congelou, agora um imenso ciclone está se formando ao lado da trirreme.
Estão saindo relâmpagos de dentro do ciclone.
Por Astartéia!!!!
Acho que vamos morrer.
Por Baal!!!!
O que está acontecendo?
A trirreme está sendo sugada pelo ciclone.
Por favor, faça alguma coisa, mestre druida.
Vamos morrer!!!!
Por Astartéia!!!!
Vamos morrer!!!!
A trirreme começa a balançar de um lado para outro, e gira dentro do imenso ciclone que está se formando no mar.
Milesiano tenta acalmar os homens.
-Acalmem-se!!!!
Isto é apenas uma fenda que está se abrindo.
Breve a tormenta irá passar.
Agbal, completamente apavorado pergunta ao mestre druida.
-Uma fenda?
Como assim, mestre Milesiano?
-Como acham que vamos enfrentar um dragão e mais um exército de demônios?
Com os desacordados?
Ou quem sabe nós quatro consigamos enfrenta-los sozinhos?
Esta fenda que está se abrindo é um portal entre o nosso mundo e o mundo da magia. Meu convidado já deve estar atravessando o portal.
-Siron ainda sem entender nada, pergunta ao druida.
-Convidado?
Que convidado é este, mestre Milesiano?
-Seu nome é Zelgor.
Ele é um dragão azul.
-Um dragão azul?
Outro dragão?
-Zelgor é um dragão sagrado.
Seu sopro produz um fogo mágico, capaz de gerar vida a qualquer um dos quatro elementos.
O dragão azul nos ajudará a criar nosso exército.
O ciclone começa a diminuir.
As ondas acamam-se no mar.
Os homens então curiosos, vão até a proa da trirreme e ficam impressionados com o que surgi diante dos seus olhos.
Uma intensa luz branca ilumina todo o mar.
Que parece um cristal de tão transparente.
Derrepente, salta das águas um imenso dragão azul.
Ele é três vezes maior que a trirreme.
Seus olhos parecem dois sóis, dourados e iluminados.
Sua cabeça lembra a cabeça de um cavalo, porém, seu fusinho é bem mais fino.
Ele tem um chifre igual o de um unicórnio, porém é todo de cristal.
O corpo dele parece o corpo de um leão.
A calda dele é fina e comprida.
Suas asas abertas, lembram as assas de uma águia, porém ao invés de penas, ele tem escamas. E uma longa crina toda trançada completa sua exuberância.
Os homens na trirreme ficam encantados com a beleza do lindo dragão azul.
Que depois de sobrevoá-los, aproxima-se do mestre druida e o reverencia com a cabeça.
Milesiano então diz:
-Contemplem o que está diante de vossos olhos.
Esta é uma visão única, que poucos terão o privilegio de ter.
Zelgor é o mais belo de todos os seres da terra mística.
Agibal ainda hipnotizado pelo dragão azul, pergunta ao mestre celta.
-O fogo sagrado gerado por Zelgor será fundido com o elemento regente de nossa esfera.
Nosso exército será gerado na água
Neste momento, um trovão brada no céu.
O mar começa a petrificar-se.
O gelo transforma-se em uma rocha escura.
Milesiano nota uma imensa nevoa negra se formando na linha do horizonte.
O coração do druida dispara.
Aldegaron está chegando.
Ele então começa a realizar a magia.
- Homens!!!!
O demônio está se aproximando.
Precisamos nos apressar.
Matho, e Agibal!!!!
Fiquem com os desacordados.
Aconteça o que acontecer, não deixe que levantem.
Protejam o rei Hannon.
Acredito que as almas escuras não se aproximarão da trirreme.
Fiquem bem atentos.
Sirom, tu ficarás aqui comigo.
Me ajudará a guiar os guerreiros na batalha.
Milesiano ergue o coelbren e recita uma palavra mágica poderosa.
-‘TETRAGRAMMATON’.....
As rochas que cobrem a trirreme começam a rachar, e as águas que saem da fendas começam a subir, formando pequenas esferas de cristais.
O druida então pede para o dragão azul emerja o fogo sagrado.
-A hora chegou.
Sopre a chama da vida, Zelgor.
O dragão sagrado abre as asas e faz emergir a chama azul.
As labaredas que saem de sua garganta, adentram nas esferas.
Que começam a se expandir, adquirindo formas humanas.
Os guerreiros de cristal vão surgindo um a um.
Em poucos segundos, surgem mais de mil soldados á frente da trirreme.
Os guerreiros são altos e magros.
Uns estão portando espadas e escudos.
Outros portam lanças e arcos.
Tudo de cristal.
Em cada guerreiro, é possível ver através de sua transparência.
A chama de Orion iluminada no lado esquerdo do peito.
Todos ficam impressionados com a magia que Milesiano acaba de realizar.
Sirom faz uma pergunta que lhe vem a mente.
Uma dúvida, um receio talvez.
-Mestre druida, que magia poderosa é esta?
Tu acabas de formar um exército de guerreiros de vidro.
São magníficos, e suas armas são perfeitas.
Mas mestre, tu dissestes que os demônios que o dragão negro está trazendo, são feitos de pedra.
Os guerreiros de vidro não ficarão em desvantagem?
-A pedra ao ser abatida, desmoronará.
-E o vidro, mestre?
-Espere e verás.
Olhe, Sirom.
Os demônios de pedra estão chegando.
Guerreiros de vidro!!!!
Preparem-se para a batalha.
Onde está o dragão negro?
Onde será que Aldegaron se escondeu?
Os demônios de pedra surgem á frente da nevoa negra.
Seus corpos são feitos de rocha.
Eles são grandes e fortes.
Alguns Gárgorons estão portando machados e escudos.
Outros usam clavas e tridentes.
São mais de dois mil demônios marchando em direção a trirreme.
Seus brados ecoam em toda ilha fantasma.
Enquanto Milesiano prepara os guerreiros de vidro para batalha, Baltar e o mentor guardião se protegem dentro de um pentagrama de proteção.
Projetado no mundo dos sonhos.
Os seres astrais estão agitados.
Vários guerreiros se enfrentam.
E o mesmo acontece nas outras dimensões.
Um grande desequilíbrio assombra o universo.
O bem e o mal travam uma nova batalha.
De volta a ilha fantasma, o druida dá a ordem para que os guerreiros de vidro comecem o combate.
-Os Gárgorons estão se preparando para atacar.
Sirom, ordene para que os soldados formem um círculo em volta da trirreme.
Aconteça o que acontecer, não saia daqui.
Peque tua espada e teu escudo, e proteja-se.
Vou acompanhar os guerreiros de vidro na batalha.
-Por Astartéia!!!!
São muitos demônios, mestre druida.
-Acredite, Sirom.
Nossos soldados darão muito trabalho para eles.
Guerreiros de vidro!!!!
Avancem e ataquem!!!!
Que a luz vença a escuridão.
Os guerreiros de vidro partem para o confronto.
Os poucos raios solares que atravessam as nuvens escuras, refletem na transparência dos soldados de cristal.
Que erguem suas espadas as girando no ar
Enquanto que mais atrás, os arqueiros preparam seus arcos e flechas.
Milesiano monta em Zelgor, e projeta um pentagrama de luz com seu coelbren.
O dragão azul voa á frente dos soldados de vidro.
Matho e Agibal assistem a tudo, pelas frestas da trirreme.
Eles estão protegendo os desacordados, que continuam congelados como estátuas de pedra.
Sirom protege-se atrás de seu escudo, e segura fortemente uma espada.
A trirreme está protegida por uns noventa soldados.
Que formaram um grande círculo em volta do navio.
Derrepente, os gritos dos guerreiros misturam-se com os estalos dos estilhaços de vidros e pedras chocando-se.
Os demônios de pedra são muito fortes.
Mas os guerreiros de vidro são muito mais ágeis.
Ao atingirem os demônios, estes desmoronam e morrem.
Os Gárgorons tentam destruir os guerreiros com seus machados e suas clavas.
Os guerreiros de vidro ao serem atingidos, quebram.
O cristal transforma-se em água.
E através da magia da chama de Orion, um novo guerreiro renasce.
O druida também ataca os demônios com sua magia.
Os raios que saem de seu coelbren, transformam-se em flechas de ouro, atingindo-os bem no peito.
O mago olha para todos os lados tentando encontrar Aldegaron.
Ele estranha o dragão negro ainda não ter aparecido.
Os guerreiros de vidro conseguem dominar a batalha.
Os Gárgorons são vencidos facilmente pelas armas de cristais.
Que ao se quebrarem, também ressurgem como mágica.
Derrepente, ouve-se um grito.
Os demônios de pedra param e abandonam o campo de batalha.
O berro ensurdecedor da fera estremece toda a ilha fantasma.
Sirom antão aponta para o céu e grita.
-O dragão negro!!!!
Veja, mestre druida.
O demônio está vindo para cá.
Por Astartéia!!!!
Ele é horrível!!!
É imenso!!!!!
-Sirom, vá para dentro da trirreme.
Fique junto de Matho e Agibal.
Ajude-os a proteger os desacordados.
Aconteça o que acontecer, não saiam de lá.
-Veja, mestre Milesiano.
Os guerreiros de vidro, não se movem.
Parecem estátuas.
O que está acontecendo, mestre druida?
-Aldegaron está congelando o tempo.
Vá para dentro, Sirom.
Junte-se aos outros, depressa
Uma nevoa negra cobre toda a trirreme.
Todos os guerreiros de vidro estão congelados.
Sirom corre e ao abrir a porta, é paralisado.
Matho e Agibal também congelam no tempo
Zelgor voa em direção ao demônio negro.
O druida projeta um escudo de energia, em forma de triangulo.
Ao se aproximarem, são surpreendidos por uma imensa bola de fogo, lançada por Aldegaron.
O dragão azul cai, e também congela no tempo.
Milesiano flutua e consegue chegar até a proa da trirreme.
Ele então vê o dragão negro por entre a nevoa escura.
O demônio é gigantesco.
É seis vezes maior que Zelgor.
Seus olhos são vermelhos como a chama das trevas.
Sua cabeça parece a cabeça de uma serpente, com seis chifres.
Suas escamas são negras, como a escuridão.
Ele segura um cetro, em uma de suas seis patas.
Suas garras afiadas parecem laminas negras, e sua calda pontiaguda, lembra a calda de um escorpião.